Bloguinho da Zizi

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

sábado, 13 de dezembro de 2014

Historinha pra ninar gigante


 



Um rei medroso ordenou que fossem mortos todos os pássaros do seu reino. 
Assim se cumpriu.
Daquele dia em diante o canto que nascia vinha das entranhas das pedras.
Deu-se uma quebra no encantamento das coisas e dragões desembocaram do espaço.
Parecia que o mundo inteiro findava.
O rei, desobrigado de sonho, fechou os seus olhos de esquecer de acordar.
Então, as crianças se aliaram aos poetas e desenharam um poema de passarinhos ressuscitados.
Foi aí que pequeninas pedras animaram-se a levitar.
Pouco a pouco ganharam penas, bicos, asas, gorjeio de pássaro.
E as crianças descobriram que pedrinhas coloridas são passarinhos disfarçados de chão.
Segredo milenarmente guardado.
Só o sabem as crianças e os poetas.

- Nara Rúbia Ribeiro -

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Cinco ponto nove



http://sphotos-a.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash3/166506_548121698539815_977154910_n.jpg


Velha, não.
Entardecida, talvez.
Antiga, sim.
Tornei-me antiga
porque a vida,
tantas vezes, se demorou
E eu a esperei
como um rio aguarda a cheia.
(Mia Couto)

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Boas colheitas




"Quero uma árvore de sonhos, 
feita de nuvens com desenhos diversos, 
com cara de algodão doce 
e preparada para nos aconchegar na sua sombra reconfortante, 
pronta para chover coisas boas e de onde se possa colher sentimentos...
Quero uma árvore que brote amor, compreensão e fé, 
em enormes frutos recheados de esperança e perseverança, 
quero um pé de liberdade, de bondade e caridade...
Quero plantar e espalhar essa árvore por todo o planeta, 
e quem sabe assim, 
começar uma nova era de boas colheitas..."

Ana Paula Moraes

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Infinita




É uma longa história...
Minha alma não tem a idade que aparenta.
Gabito Nunes

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Liberdade!



Hoje soltei os pássaros
fechei a porta da gaiola
e voei com eles.

Fui-me embora!

(Luisa Veríssimo)

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Oração



 http://www.cinemagrafia.com/2011/12/cacto.html


''Deus,
Peço-te:
Interpreta-me.

Não leia apenas as minhas palavras;
Elas são poucas,
Frágeis,
Quebradiças.

Cá, dentro, tem um mundo:
(Quase sempre)
Inabitado.
(Quase sempre)
Incompreensível.

Sei que habitas no secreto,
Nos dias em que não há;
Nos cantos intocáveis,
Nos acontecimentos invisíveis.

Por favor, peço-te:
Cubra-me!

Cubra-me,
Com o teu silencioso cuidado.
E eu me abrigarei na confiança,
De que sempre estarás comigo.''

Luciana Leitão

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O que você faria?


http://annstreetstudio.com/wp-content/uploads/2013/09/butter980.gif


Quero agora te propor uma aventura:
Imagine que hoje é o teu último dia de vida.
Faça tudo o que você mais gostaria de fazer hoje — antes de morrer.
Dê um pouco de atenção àquilo que realmente importa.
Desfaça-se do que não presta.
Despreocupe-se.
Olhe bem as tuas coisas, avalie calmamente os teus sonhos e projetos, sobrevoe o teu mundo.
Despeça-se (mentalmente, se for o caso) dos teus amigos e dos teus amores preferidos.
Em seguida, escolha os maiores prazeres que você puder imaginar, e sinta-os, em todos os Sentidos.
Procure cometer até mesmo aquelas pequenas loucuras que você vem sempre adiando — por medo, por vergonha ou por preguiça.

E lembre-se: só hoje é hoje.

Por isso HOJE tem que ser um dia inesquecível!

Texto de Edson Marques.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Olha o passarinhoooooo!!!!


http://2.bp.blogspot.com/-iwgL0RqcpFs/U1pWakR-p-I/AAAAAAAAD3M/ESxV1kHBZz4/s1600/camera-action.gif

terça-feira, 15 de julho de 2014

Aqueles que amamos e que partiram já não estão onde estavam, mas sim em toda a parte onde estamos.





 http://photo.creativez.com/wp-content/uploads/2009/05/ccf_1.jpg

A  morte sempre me traz momentos de reflexão.
Hoje a minha família leva ao túmulo mais uma das minhas tias.
Mesmo com tantos nascimentos acontecendo, a morte sempre vem deixar uma lacuna e traz muitos pensamentos.
O por quê do por quê do por quê!
Eu não convivi com esta tia, mas o que sei dela desde criança, é como se tivesse sido criada ao lado dela.
E quando leio os relatos da família aí então me bate uma tristeza de realmente não ter vivido esse lado da história.
Mas assim é a vida!
Nasci e fui criada numa terra que meus pais desconheciam e assim não tinham muito pra contar.  Em compensação, cresci ouvindo histórias da família, de vivências, de festas, de Natais e Anos Novos, da fome, das dificuldades, da união e do carinho. Da caridade mesmo quando a escassez era grande.
E tantas eram as histórias que eu me sentia nelas.
Conheci cada membro da família na mente e no coração, mesmo sem que os olhos um dia tivessem visto cada um deles.
E hoje fico pensando em como tudo seria diferente se eu estivesse do outro lado da história.
Mas.... não foi!  E aqui estou.
Li esta frase de um membro da família que me trouxe algum alento:

Aqueles que amamos e que partiram já não estão onde estavam, mas sim em toda a parte onde estamos.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Preciosidade

http://content.foto.mail.ru/mail/olegrob1/_animated/i-120.gif


Eu olho a vida
com imensa saudade
do que ela se mostrou
por inteira
um dia
aos meus olhos de criança.

Ademir Antonio Bacca



domingo, 22 de junho de 2014

.. é o que eu digo e é certo!



Tive uma pessoa na família que dizia a cada momento esta frase:
... é o que eu digo e é certo! Essa era a sua marca registrada.

Ela era muito séria e brava mesmo, mas aos meus olhos chegava a ser engraçada naquele papel de durona.

Nessa postura viveu seus 80 anos de vida, de muito sofrimento, pois ao contrário do que dizia, nem tudo era certo.
A vida provava a cada dia que não era assim.

Seu padrão era pesado e cheio de "tem que".

No dia de sua morte, alguém ao meu lado disse:
- Essa era ruinzinha ....

Olhei para ela, ali estática e sem vida e pude ver que o que deixou foram tristes recordações.
Recordações de alguém que tudo que dizia era certo.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Despalavrizando






Sabe quando percebi que as palavras nem faziam tanta falta?
Quando precisei delas para descrever a textura da solidão de um entardecer com chuva.
Também precisei quando senti o sabor amargo de um olhar triste de quem eu magoei.
Daí comecei a reparar no barulhão que as folhas das árvores fazem  quando a gente vai dormir triste, tentando nos avisar que tem muita vida lá fora ainda.
Reparei também que às vezes, no fim da tarde as andorinhas fazem um balé tentando nos impressionar.
Nem reparava que haviam plantas nascendo nas rachaduras das calçadas da rua, sempre me avisando para não desistir.
Gosto de pensar que precisamos criar mais palavras do bem.
As atuais estão tão em desuso, e já que tudo é moda...
Queria poder usar o vocabulário dos bebes. Não tem nada mais original.
Não tem verbo, nem substantivo, mas tem sentimento, tem vontade, tem verdade...
Acho que os passarinhos não gostam como as palavras estão sendo usadas,
nem as folhas, bem os riachos.
Mas então se tudo der errado, vamos despalavrizar o mundo?
Como numa brincadeira de criança, só vamos usar gestos?
Só vamos usar feições do rosto?
Assim vamos animalizar o mundo e nos comunicar com gestos e sentimentos.
Quem sabe assim precisaremos menos de palavras
Quem sabe assim teremos mais contato
Quem sabe assim aprendamos a linguagem dos do mato, dos bichos.
Que não precisam de poesia.
Eles são poesia ...

Alam Tombini

terça-feira, 13 de maio de 2014

Por hoje




Hoje soltei os pássaros
Fechei a porta da gaiola
E voei come eles.
Fui-me embora.

Luísa Veríssimo